警訊140期 Revista da P.S.P. 140

65 O psicólogo sem experiência e conhecimento pode acabar por prejudicar, mesmo com boas intenções. Se a pessoa que pede ajuda não tiver motivação nem colaboração, o psicólogo não saberá como agir, por mais profissional que seja. Sem uma relação de confiança e sinceridade, todas as técnicas podem transformar-se em palavras vazias. Costumo brincar dizendo que não tenho uma varinha mágica; o aconselhamento psicológico assemelha-se mais a uma dança entre o psicólogo e a pessoa que pede ajuda. As partilhas das duas pessoas que pedem ajuda a seguir são uma demonstração concreta destes três factores. Espero que os seus testemunhos pessoais lhe tragam ajuda e inspiração. Olhando para trás A partilha do Sr. A (pessoa que pede ajuda) Recentemente, li o romance “Girl’s Story” de Annie Ernaux, laureada com o Prémio Nobel de Literatura de 2022. A obra narra a retrospetiva da protagonista sobre a sua experiência no seu trabalho na Normandia, há 50 anos, e o seu percurso posterior. Por isso, eu também quero olhar para mim próprio como eu era há mais de um ano. E porquê? Deixem-me partilhar convosco. Desde pequeno que tenho uma personalidade mais ansiosa e sou muito exigente comigo próprio, por isso, tive boas notas durante os meus estudos. No entanto, após entrar no mercado de trabalho, com o passar dos anos, a pressão que sinto muitas vezes causa-me insónias, e precisei de tomar comprimidos para dormir em muitas noites. Mesmo tendo-me reformado há muitos anos, a ansiedade persiste. Por volta de 2023, a situação agravou-se e comecei a consultar médicos e a tomar medicamentos, mas os sintomas têm sido muito instáveis. Em Setembro de 2024, durante uma viagem pela Europa com a minha esposa e amigos para relaxar, o meu estado de saúde agravouse repentinamente; naquele momento, encontrando-me numa aldeia deserta, senti-me muito em pânico, a ponto de nem sequer me atrever a trancar a porta quando ia à casa de banho pública, com medo de não conseguir abri-la depois de usar a casa de banho, e já antes de apanhar o metro me preocupava com a forma como as minhas malas iriam passar pela porta de embarque. Eu sabia que algo de mau se passava, e a minha esposa e os amigos que me acompanhavam também perceberam que eu estava um pouco estranho; os medicamentos que tomava habitualmente já não faziam efeito. O mais infeliz foi que, durante a viagem, recebi a notícia da morte da minha mãe, o que me deixou completamente em pânico e inquieto. Após o meu regresso a Macau, finalizei as formalidades fúnebres da minha mãe num estado de cansaço e desânimo, e seguidamente fui procurar um outro psiquiatra. Ao mesmo 1. Experiência e conhecimentos dos conselheiros: Trata-se da base da especialização do aconselhamento, que exige conhecimentos teóricos, técnicas clínicas, juízos éticos e qualidades de apoio; no entanto, por melhores que sejam as experiências desses conselheiros, se o próprio solicitante não quiser mudar, o efeito será muito limitado. 2. Motivação e colaboração da pessoa que pede ajuda: Este é um motor de mudança, a assistência psicológica não é a reparação de uma máquina, e a pessoa que pede ajuda não é um objecto passivo. Mesmo que o psicólogo seja excelente, se a pessoa que pede ajuda não quiser abrir o coração, nem tentar, nem colaborar, a mudança dificilmente acontecerá. 3. Confiança e honestidade na relação terapêutica: O momento da verdadeira “cura” da pessoa que pede ajuda não é, necessariamente, aquele em que o psicólogo apresenta uma análise brilhante, mas sim aquele em que a pessoa que pede ajuda se sente completamente aceita, compreendida e acolhida, percebendo que há alguém realmente ao seu lado nesta caminhada. Por isso, no que diz respeito à eficácia do aconselhamento, a qualidade da relação terapêutica é sempre mais crucial do que qualquer técnica específica.

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