66 tempo, através da minha esposa, conheci a Sra. Chou (Karen), psicológica da Direcção dos Serviços das Forças de Segurança de Macau. Após uma avaliação, elas concluíram que eu sofria de problemas de ansiedade e depressão de gravidade considerável. Naquela altura, sentia-me bastante assustado, como se estivesse a cair num abismo; no início da medicação, os progressos foram muito limitados e a Karen marcava-me consultas semanais para aconselhamento individual e, por vezes, também marcava reuniões com a minha esposa para acompanhar a minha situação. Ela emprestou-me alguns livros sobre doenças emocionais e aconselhamento psicológico e ensinou-me diferentes métodos para aliviar o stress, como a respiração dupla, além de me encorajar a estar mais em contacto com a natureza, daí, aos poucos, o meu estado de saúde começou a melhorar. Mas, à certa altura cheguei a um ponto de estagnação e não conseguia avançar, afinal tratava-se de uma fase de estabilização. Pois, o ritmo de recuperação varia de pessoa para pessoa e o médico disse-me para ter paciência e a Karen também me confortou, dizendo que não piorar já era um progresso. Seguindo os conselhos e as estimulações da psicóloga, do médico e da família e amigos, inscrevi-me em algumas aulas de lazer, como o “Bátuandjin” e o “Zentangle”, mas o meu estado de espírito oscila entre bom e mau; continuo ansioso com todas as pequenas coisas à minha volta, e a depressão fez-me perder o interesse por tudo, mesmo por actividades que sempre adorei, como ler, ouvir música e assistir a espectáculos, e já não tenho energia para isso, nem tomo a iniciativa de marcar encontros com os amigos como fazia antigamente. Nos encontros que os amigos me convidavam, falava muito pouco e sentia-me deprimido. No meu quotidiano, gosto de ficar em casa sem fazer nada, e eu sei que isso não é correcto, mas não tenho motivação para mudar. Pensei que a fé talvez pudesse ser uma saída. Um dia, entrei por minha própria iniciativa numa igreja missionária, participei no seu grupo de irmãos, no culto dominical e numa actividade de voluntariado para recolher sobras de comida no mercado para famílias carenciadas. Além disso, um familiar ofereceu-me um conjunto de caligrafia com caneta de tinta para eu escrever e relaxar a mente. A Karen pediu-me também para anotar todas as noites as actividades do dia seguinte e, ao acordar, seguir o plano. Tinha de fazer caminhadas de montanha de três a cinco dias por semana. Sugeriu-me ainda andar de autocarro sem destino, visitar exposições, etc., com o objetivo de não ficar sozinha em casa a dar asas à imaginação; e todas as noites, atribuía uma nota ao meu humor desse dia. No início, dava apenas 5 ou 6 valores, mas com o tempo evoluiu para 7 ou 8 valores diários. Após cerca de três meses de persistência, agora consigo atingir a pontuação máxima de 10 valores todos os dias. Na altura, questionei-me se a rotina diária, sempre igual, estaria realmente a ajudar na minha doença. No passado, devido a problemas de depressão e ansiedade, sentia falta de motivação para qualquer coisa, e era inconstante, desistia facilmente e era incapaz de manter-me firme. No entanto, a Karen encorajou-me, dizendo que são necessários 21 dias para criar um hábito, e salientou que o meu modo de pensar e o meu estilo de vida anteriores apresentavam alguns problemas, tomar medicamentos era apenas um tratamento sintomático; o mais fundamental era mudar os pensamentos errados e o estilo de vida pouco saudável. Ao mesmo tempo, a médica ajustou a medicação de acordo com a minha condição, garantindo que eu dormisse o suficiente, e sugeriu que consultasse o seu colega de medicina tradicional chinesa, para tentar uma abordagem dupla. Hoje, embora ainda esteja a tomar medicação, já recuperei quase totalmente o meu estado normal. Agora, retomei os meus passatempos: leio 2 a 4 horas por dia, vejo filmes, ouço música, assisto a peças de teatro, escrevo, faço caminhadas, participo em actividades da igreja, sou voluntário na igreja missionária, planeio viagens, tomo iniciativa de organizar encontros com amigos e também me interesso mais pelas coisas à minha volta. Agora, quero dizer «adeus» ao meu eu de há mais de um ano. Já superei aqueles dias difíceis e, por isso, quero agradecer o apoio e a ajuda da minha esposa, dos meus familiares e amigos, da Karen e dos irmãos da igreja.
RkJQdWJsaXNoZXIy MTk1OTI2