警訊138期 Revista da P.S.P. 138

56 daquela altura?” em vez das respostas desconfortáveis acima referidas. 2. Dar conselhos com urgência A outra situação é que podemos ouvir no início, e também podemos sentir-se na perspectiva da outra parte, e a outra parte também está disposta a falar mais, mas muitas vezes os ouvintes estão ansiosos para dar conselhos e compartilhar as suas experiências, ou procedem rapidamente ao julgamento e à conclusão, o que também é desconforto, porque, quando estamos ansiosos para dar conselhos, estamos também a exprimir que não queremos continuar a ouvir pacientemente, o que leva a fechar a porta para que a outra pessoa tenha a oportunidade de partilhar mais a sua experiência, ou talvez perca uma boa oportunidade. Lembre-se de que ouvir é para compreender e não para responder. Por isso, a paciência é muito importante porque ouvir paciente permite que o outro continue a falar. 3. Momento silencioso Às vezes, ouvir simplesmente pode acontecer o tempo silencioso, neste momento, se calhar o leitor pensa que este tipo de situação para você e para mim pode ser muito embaraçoso, ou não sei o que fazer? Será que vou dizer algumas palavras, para que o ambiente não se torne mais frio? Não falar é como se eu não estivesse preocupado com a outra parte? Se não falar, será que a outra parte acha que eu não prestei atenção ao que ouvi? Imagine-se, ao ouvir uma conversa de alguém, o ouvinte falasse incessantemente sem dar tempo a outra pessoa fazer uma pausa, pensar, organizar ideias e estruturar o que sente - isso torna a conversa extremamente desconfortável. Se permitirmos que ambos fiquem em silêncio juntos, essa pausa é, na verdade, muito adequada. Às vezes, essa pausa pode até produzir efeitos positivos, como, por exemplo, as pessoas com problemas emocionais pensam: “Ah! Você está disposto a ficar em silêncio comigo”, “Você está realmente disposto a acompanhar-me”, “Você não fica impaciente comigo”, «Você não se sente desconfortável pelo meu silêncio” ou “Você exige-me a falar” etc.. Pelo contrário, Às vezes, quando veja “fotografias felizes” de um amigo nas redes sociais, fica contente por ele, mas ao contrário, quando veja um amigo a mostrar o sentimento “negativo” dele, vai logicamente perguntar se ele está com problema emocional? Alguns leitores podem ter pensado em ajudar essas pessoas que demonstram sentimentos negativos, mas sentem que não são capazes. Muitas vezes, queremos preocupar-nos com as pessoas ao nosso redor que precisam de ajuda, mas sentimos que não sabemos por onde começar. Nesta edição, partilhamos com todos as técnicas de escuta frequentemente referidas no aconselhamento, para que os leitores não sintam que o aconselhamento é um assunto muito difícil e que as pessoas à nossa volta também têm esta necessidade. A seguir, apresentamos as situações mais comuns como exemplo: 1. Imagine se você não está feliz, o que você mais temeria ouvir dos outros? A resposta que se ouve com mais frequência pode ser «Não ficas triste!», «O teu problema é muito pequeno, olha para mim, já passei por questões muito mais difíceis e consegui ultrapassá-las.», «Vê a vida de forma mais leve», «Anima-te». As respostas recebidas com mais frequência são sempre uma fonte de desconforto, uma vez que o ouvinte se preocupa com o outro, quer aliviar o ambiente, ou confortar o outro a não ficar muito triste, de modo a esperar que a maneira mais rápida de inverter as emoções negativas do outro para voltar a ter emoções positivas. Por isso, o ouvinte não sabe o que deve fazer, até fica ansioso, ou, pelo seu próprio ponto de vista, acha que é um assunto pequeno e não vale a pena ficar triste. No entanto, para as pessoas com problemas emocionais, elas estão a passar por uma situação difícil e triste, por isso, as duas partes contrapõem-se, e os interessados sentem-se cansados por não serem compreendidos e até sentem que não precisam de falar com outras pessoas. Podemos tentar dizer, “Por favor, fale mais sobre as suas ideias”, “Como se sentia naquela altura?”, “O que o levou a fazer essa escolha?”, “Pode falar mais sobre a situação

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