警訊138期 Revista da P.S.P. 138

57 心理輔導員Psicóloga : 蔡瑞珍Choi Soi Chan ( Doris ) 聯絡電話Telefone de contacto : 8866 9690 電郵地址Correio electrónico : scchoi@fsm.gov.mo as pessoas com problemas emocionais podme sentir que “Você realmente quer estar comigo”, experimentando um profundo sentimento de acompanhamento. 4. Lidar com o choro Os leitores podem perguntar-se: se virem a outra pessoa a chorar copiosamente, será que lhe oferece pepel higiénico? E se a pessoa ainda não chora, mas começa a chorar intensamente depois de lhe oferecer pepel higiénico? Afinal, será que lho oferece? Na verdade, oferecer pepel higiénico significa que o ouvinte está atento e cuida das necessidades de quem está emocionalmente perturbado. No entanto, a maioria das pessoas sente ansiedade sobre como responder ao choro dos outros, especialmente quando essa pessoa está à sua frente. Chorar é uma forma de expressão emocional. Se a pessoa está disposta a chorar à sua frente, isso significa que está disposta a revelar as suas emoções e o que é um sinal de confiança em quem a ouve. Pelo contrário, se a pessoa reprime o choro, pode ser por receio de preocupar quem a ouve, isso não significa que a pessoa emocionalmente perturbada se sinta mais aliviada. Então, será que devemos encorajar a outro a chorar à vontade? “Podes chorar à vontade! Vai fazer-te sentir melhor!” Esta é uma frase que ouvimos com frequência. Chorar ou não varia de pessoa para pessoa. Na maioria dos casos, não precisamos de encorajar propositadamente pessoas com problemas emocionais a chorar, pois esse gesto parece pressioná-las a expressar emoções negativas. A escuta deve ser um processo espontâneo, se as pessoas com problemas emocionais sentirem necessidade de expressar as suas emoções, deixe-as fazê-lo naturalmente. Quem está a ouvir precisa simplesmente de permanecer presente, continuando a desempenhar um papel de acompanhamento e de suporte emocional. 5. Como posso oferecer ajuda prática? Ouvir quem está a passar por sofrimento emocional desabafar também pode aliviar a atmosfera acima referida de não saber o que deve fazer, mas depois, o ouvinte pode sentir que não conseguiu ajudar muito, o que pode levar a dúvidas sobre os próprios esforços. Ouvimos frequentemente falar de problemas muito grandes e difíceis, perante os quais nos sentimos incapazes de resolver ou ajudar. Isto pode causar ansiedade e o desejo de fazer algo após a conversa, algo que traga valor ao outro, que o faça sentir-se melhor, de modo a confirmar que somos úteis. Esta expectativa que colocamos em nós próprios acaba por ser um peso para quem ouve. Por isso, desde o início, quando ouvirmos alguém a “desabafar”, é crucial manter uma atitude clara, lembrando-nos de que o mais importante na escuta não é ajudar a resolver o problema do outro, mas sim fazer com que ele não se sinta sozinho, que ele não enfrente a situação sozinho, que seja compreendido e que alguém está disposto a caminhar ao seu lado. Quando quem ouve tem esta atitude, não sentirá necessidade de lidar com as coisas, resolver problemas ou fazer com que as pessoas com problemas emocionais voltem a ficar felizes. Imagine que, se as pessoas com problemas emocionais pudessem recuperar a felicidade simplesmente através de uma conversa de apenas uma hora, não haveria problemas emocionais. 6. Devo intervir para ajudar a resolver a situação? Ou devo limitar-me a ouvir? Se houver alguma situação que esteja ao nosso alcance e em que seja adequado intervir no âmbito da relação, devemos certamente dar a mão e ajudar, pois limitar-nos a falar sem agir nada, parece pouco justificável. No entanto, em certas situações, precisamos realmente de estabelecer limites: se o nosso papel ou posição não nos permitir intervir, ou se não devemos dar demasiadas opiniões, devemos deixar a situação a cargo da pessoa em questão ou orientá-la para que procure a ajuda de outras pessoas adequadas. Se acharmos que a outra pessoa precisa e está disposta a procurar ajuda profissional, quem a ouve pode acompanhá-la a uma consulta com um psicólogo ou médico, para que receba a ajuda adequada. Especialmente se, durante a conversa, percebermos que há uma situação de risco, como a possibilidade de a pessoa se magoar a si própria ou a outros, é absolutamente necessário procurar ajuda mais aprofundada. Nem toda a gente é um profissional da área, mas todos temos a oportunidade de nos preocupar com as pessoas que nos rodeiam; vamos, juntos, aprender a ouvir com amor e paciência, acompanhando quem está a passar por dificuldades emocionais.

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