警訊139期 Revista da P.S.P. 139

62 No nosso intenso trabalho policial, lidamos diariamente com todo o tipo de pessoas. Às vezes encontramos indivíduos que não cooperam, outras vezes temos de resolver conflitos e disputas complexas. Neste momento, manter uma mentalidade compreensiva não está apenas relacionado com o desempenho no trabalho, mas também com as nossas perspetivas de carreira e com a nobre sabedoria que adquirimos ao longo da vida. Muitas pessoas acreditam que compreender os outros, parece ser uma forma de pensar nos outros, mas na verdade é preparar o próprio caminho para a paz de espírito. A compreensão é a chave para resolver conflitos. Quando tratamos dos assuntos policiais, se nos limitarmos a tirar conclusões precipitadas, é muito provável que aumentem os conflitos. Pelo contrário, se conseguirmos colocar-nos no lugar do outro e entender a sua situação, muitos problemas serão resolvidos facilmente. A compreensão é também uma boa forma de proteger a saúde física e mental. O trabalho policial é, por si só, cheio de complexidade e pressão, se nos cansarmos no tratamento dos assuntos policiais, a sua saúde física e mental será afectada inevitavelmente ao longo do tempo. Segundo um estudo médico efetuado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), as pessoas que se encontram permanentemente em estado de raiva, ansiedade e stresse são mais propensas a sofrer de hipertensão, insónia ou outros problemas de saúde e, com o passar do tempo, a sofrer de doenças mentais. Por isso, devemos aprender a compreender os outros, para que a nossa própria mentalidade seja pacífica. Esta paz não só aumenta a eficiência no trabalho, mas também é o melhor cuidado para nós mesmos. Entender os outros pode trazer-nos quatro benefícios: Trabalhar com mais sucesso Quando os solicitantes de ajuda sentem a compreensão dos agentes policiais, a atitude deles tende a atenuar-se. Ficam, assim, mais dispostos a aceitar as opiniões dos outros e a colaborar activamente no trabalho. Isto não só acelera a resolução dos problemas, mas também evita muitos conflitos desnecessários. Houve um caso em que depois de receber aconselhamento, um agente aprendeu a adoptar um ponto de vista compreensivo no tratamento de casos. No tratamento de um caso de furto ocorrido num centro comercial, este método foi posto em prática. Na altura, uma mãe que estava acompanhada do filho foi suspeita de roubar um artigo. Os seguranças e o gerente do centro comercial exigiram, em tom severo, que a revistassem. A mãe sentiu-se envergonhada e angustiada, e a criança ficou tão assustada que começou a chorar. Neste caso, aplicou-se as técnicas de compreensão aprendidas: em primeiro lugar, foi pedido aos funcionários do centro comercial que se retirassem e seguidamente foi efectuado uma conversa a sós com a mãe. Descobriu-se que ela era uma mãe solteira e que a criança gostava muito daquele brinquedo, mas que ela simplesmente não tinha meios para o comprar. Após confirmar que o artigo estava intacto, tomou- -se a iniciativa de contactá-la com o Instituto de Acção Social (IAS), e a administração do centro comercial compreendeu a sua situação, indicando que não iria avançar com a queixa. A mãe ficou extremamente grata e prometeu não voltar a cometer o mesmo erro. Ao compreender a situação da pessoa envolvida, todo o processo de resolução tornou-se muito mais eficaz, resolvendo o problema e ajudando, ao mesmo tempo, uma família em dificuldades.

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