Como espelho, a História é o registo das diversas actividades que reflectem o processo do desenvolvimento contínuo da sociedade concebida pelo Homem. Macau é uma cidade de convergência de culturas, possuindo uma história traçada por um processo de desenvolvimento muito diferente. Integrado neste processo de desenvolvimento, o Corpo de Bombeiros de Macau tem percorrido uma longa jornada com a população do Território, prestando-lhe os melhores serviços com grande espírito de sacrifício. Assim, para dar uma perspectiva sobre o futuro desta Corporação, vamos aqui tentar compreender o desenvolvimento da sua história.

1851 - os serviços de incêndio foram atribuídos às forças militares portuguesas. Na altura, já existia uma bomba no quartel (S.Francisco) do Batalhão de Artilheria. Foram ainda estabelecidos os sinais de aviso de incêndio, por dois tiros seguidos de canhão, disparados da Fortaleza do Monte.

1858 - Foram estabelecidas companhias de cules em cada bairro, sendo obrigados a apresentar-se no Largo do Senado, para o serviço de bombas, sempre que houver deflagração de incêndio. Passou a haver sinais, a içar na Fortaleza do Monte, a seguir aos tiros de aviso, por forma a definir o local do incêndio.

1883 - Com a necessidade de regularizar o serviço dos incêndios em Macau, foi aprovado e posto em execução o regulamento do Serviço dos Incêndios em Macau, formando um corpo activo de bombeiros com mais de 60 pessoas. Passou a haver, no minimo, 4 bombas, sendo 1 na Taipa e 1 em Coloane. Na altura, a Inspecção de Incêndios ficava instalada no Quartel do Convento de S. Domingos.

1914 - Aprovado e publicado um novo regulamento das Obras Públicas, passando-lhe a competir a Inspecção dos Incêndios.

1916 - Possuia 4 bombas a vapor, 2 bombas braçais, 3 viaturas de material (pronto-socorro), 1 auto-escada, 1 viatura de sarilho e 2 viaturas para carvão e as seguintes instalações:

Estação n° 1 (Central)

Em S. Domingos.

Estação n° 2

Na Avenida Almirante Sérgio.

Estação n° 3

Na Av. Horta e Costa.

Posto de Incêndio da Taipa e Posto de Incêndio de Coloane.

1919 - Publicada a nova organização dos serviços de incêndio, sendo extinta a Inspecção de Incêndios e criado, em sua substituição, o Corpo de Bombeiros que deixou de estar anexo à Repartição das Obras Públicas. Passou a ter pessoal permanente, pessoal assalariado e pessoal auxiliar, com o total de 151 elementos.

1920 - Os serviços de incêndios da cidade de Macau foram transferidos para o Leal Senado, sendo os das ilhas para a Comissão Municipal da Taipa e Coloane. Aprovado o projecto da construção das novas instalações para o Corpo de Bombeiros junto à Estrada Coelho do Amaral.

1923       - O Corpo de Bombeiros voltou à Administração e passou a designar-se Corpo de Salvação Pública, ficando, além da extinção de incêndios e socorro em casos de sinistro, com as funções da Brigada Sanitária para o combate aos agentes propagadores de doencas endemo-epidémicas, o serviço de administração e distribuicao da água salgada, a condução de feridos e sinistrados e os que lhe vierem a ser atribuídos. Os cargos de Comandante, Ajudante e Chefe de Divisão eram considerados de comissão de serviço militar, quando exercidos por militares. Deixaram de ser dados sinais com tiros de artilharia para aviso de incêndio. O novo Quartel da Estrada Coelho do Amaral foi oficialmente inaugurado em 3 de Outubro.

1936 - O Corpo de Salvação Pública ficou enquadrado na Repartição Técnica das Obras Públicas, para efeitos administrativos e fiscalização.

1939 - Tornando-se necessário actualizar e dar eficiência ao serviço, aprovou e entrou em vigor o novo Regulamento do Corpo de Salvação Pública. Passou a ser uma corporação militarizada. Nesta altura, possuia 3 estações de incêndios em Macau e 2 postos nas ilhas.

1946 - Voltaram a transitar para o Leal Senado, os serviços do Corpo de Salvação Pública, passando assim a Corpo de Bombeiros Municipais. No mesmo ano, foi publicado novo Regulamento, continuando a ser uma corporação militarizada.

1976 - Por Decreto-Lei 705/75, de 19 de Dezembro, que entrou em vigor em 01Jan76, foram reorganizadas as forças militares e militarizadas, que passaram a constituir as Forças de Segurança de Macau, das quais, passou a fazer parte o Corpo de Bombeiros.

1991 - Na sequência do Decreto-Lei que criou a Direcção dos Serviços das Forças de Segurança, com atribuições de apoio técnico e administrativo às FSM, considerando que se mantinham os condicionamentos do Despacho 11/87, de 23 de Março, do Comandante das FSM, o apoio técnico passou a ser prestado por um órgão técnico de apoio, a funcionar na D.S.F.S.M. Com a integração nas Forças de Segurança o Corpo de Bombeiros passou a ficar devidamente equipado, com material moderno e operacional, capaz de responder às novas solicitações e ao crescimento da cidade em altura e tipo de edifícios. No mesmo ano, ocupou as instalações do Posto Provisório no Porto Exterior, em frente ao Forum (deixando o local em 1997).

1994 - Foram ampliadas as instalações da Sede na Estrada Coelho do Amaral. Neste Quartel, com cerca de 3700m2 de área de implantação, além dos serviços de apoio administrativo, encontra-se ainda instalado o Posto Operacional Central, que possui um piquete integrado por 126 militarizados e 18 viaturas de emergência de diferentes dimensões, incluindo 6 auto-bomba-tanques, 1 auto-escada (30 metros), 1 pronto-socorro, 1 auto-projector, 3 viaturas de equipamentos e materiais, 2 “jeeps”, 1 viatura ligeira e 3 ambulâncias.

1995 - Com as alterações introduzidas ao Regulamento do Corpo de Bombeiros de Macau, pelo Decreto-Lei no4/95/M de 30 de Janeiro, o Corpo de Bombeiros de Macau passou a ser uma força militarizada, na dependência directa do Governador, confiando-lhe novas missões e atribuições. Passou a compreender, como seus órgãos e subunidades orgânicas, o Comando e Órgaos do Comando, Departamento de Gestão de Recursos, Departamento Operacional, Departamento Técnico, Escola de Bombeiros, Divisão de Serviços e Divisão do Aeroporto. Para fazer face ao desenvolvimento urbano, o no do pessoal atingiu os 596 militarizados.

1996 - Foi inaugurado o Posto Operacional da Ilha da Taipa, situado na Rua de Nam Keng. O Posto tem uma cave para estacionamento e uma área correspondente a 2264m2 aproximadamente. Possui um piquete integrado por 114 militarizados e 9 viaturas de emergência de diferentes dimensões, incluindo 2 auto-bomba-tanques, 1 auto-escada (37 metros), 1 plataforma hidráulica (26 metros), 1 pronto-socorro, 1 auto-espuma, 1 “jeep”, e 2 ambulâncias.

1997 - Foi inaugurado o Posto Operacional da Areia Preta, situado perto da Estação Eléctrica da Companhia de Electricidade de Macau. Neste Posto, com uma área de implantação de cerca de 6720m2, encontram-se destacados 126 efectivos e 21 viaturas de emergência de diferentes dimensões, incluindo 5 auto-bomba-tanques, 3 auto-escadas, 2 plataformas hidráulicas, 1 pronto-socorro, 1 auto-espuma, 4 viaturas de equipamentos e materiais, 1 viaturas de aparelhos respiratórios, 1 “jeep”, e 3 ambulancias. Funcionam ainda no local, a Escola de Bombeiros e a Divisão de Serviços do Corpo de Bombeiros.

1998 - Foi inaugurado o Posto Operacional Provisório da Barra, ao qual, foi atribuída a missão de combater os incêndios da zona de Praia de Manduco. Este posto possui 51 bombeiros e 2 auto-bomba-tanques e 1 ambulancia.

1999 - Em 12 de Março, o quadro do Corpo de Bombeiros de Macau encontra-se totalmente localizado, ficando com um total de 739 militarizados. Quanto às instalações, existem 7 postos operacionais distribuídos por diferentes sítios do Território, entre os quais, 3 na Península, 3 na Taipa (incluindo os 2 localizados no Aeroporto Internacional de Macau), e 1 em Coloane.

  • Em 11 de Dezembro, o Corpo de Bombeiros de Macau foi agraciado com a Medalha de Valor.
  • Em 11 de Dezembro, foi inaugurado oficialmente o Museu do Corpo de Bombeiros de Macau, instalado no Quartel da Estrada Coelho do Amaral.